É preciso políticas para atuar nas causas e não ficar apenas combatendo os efeitos

Porque ao invés de políticas para combater os efeitose (1), não podemos ter políticas para atuar nas causas? A pergunta é do economista Ivo Marcos Theis, durante a palestra “Causas estruturais da violência”, dentro do Seminário Estadual “Violência contra a juventude em Santa Catarina”, organizado pelo ICJ (Instituto Catarinense de Juventude).

“A violência aumentou e é preciso mais políticas públicas. O jovem negro é a grande vítima da violência no Brasil. 70% das vítimas da violência no Brasil (não apenas jovens) é negro ou pardo”, trouxe Theis. Ele explica que as principais ameaças de violência contra a juventude são homicídios e acidentes de trânsito.

Sobre o tráfico de drogas, Ivo Theis destaca que precisamos encarar o problema sem moralismo. “O problema não está no consumidor. Ele é muito maior, é econômico. Se deixam soltos grandes traficantes e prendem o pequeno consumidor”, comenta, informando também que o principal motivo de morte de adolescentes, de 12 a 18 anos, é o conflito com a polícia.

O jovem e a escola

Theis trouxe alguns dados importantes, da pesquisa “Educação e desenvolvimento desigual: a problemática da vulnerabilidade social entre os jovens de Santa Catarina”, que ele coordena. Dados como: Apenas 34% dos jovens frequentam a escola em SC. No Brasil é 35,8%. 65,3% dos jovens de SC já frequentaram, mas não frequentam mais a escola. No Brasil é menor: 62,59%. “Nossas elites costumam dizer que nosso estado é maravilhoso, que não tem rico e nem pobre, mas tem alguns indicadores que nos deixam com a pulga atrás da orelha”, destaca o palestrante.

Outros dados:
– 24,5% dos jovens catarinenses estão no Vale do Itajaí.
– O Vale do Itajaí é a região que menos têm jovens frequentando as escolas: 31%.
– A proporção de jovens em relação a população brasileira vem decrescendo.
– Em SC essa queda é de 29% para 26,8% em 2010.
*Pesquisa com jovens de 15 a 29 anos – dados 2010

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